quarta-feira, abril 05, 2006

Torre de papel

(onde todos lêem a mesma escrita)

Aqui é inevitável
Queimar as rimas
Numa fogueira de espantos,
Despir as estantes de
Pós, livros e acasos,
Gastar os lápis com
Rabiscos pouco firmes mas
Planeados,
Soluçar pelos objectos
Espalhados no chão;
As fotografias rasgadas
Da nossa alma de tinta
Permanente mas permeável.

É tempo de
Denunciar as crenças
Maltratadas;
Adormecer pelo cansaço
Demorado
E velar durante a noite,
Antes de sonhar.
Aqui é permitido
Perder noites e dias,
E evaporar as vontades.
É aconselhado
Chegar à eternidade
De um olhar,
Descompassado.
Aqui é desnecessário
Desaprender a chorar.

(Publicado no DNjovem em Novembro de 2001) - Às vezes preciso viajar no tempo passado, para me lembrar...


1 comentário:

Antonio disse...

Esta está mais próxima do que já conhecia de ti, mas ninguém lerá a mesma escrita nesta tua torre de papel. A carga das tuas palavras tem outra carga na minha leitura.