segunda-feira, novembro 23, 2009

Um terceiro sentido…

O terceiro sentido é estranho às palavras que utilizamos para descrever os dias.
O terceiro sentido é alheio à mente e não cabe na gaveta da memória e dos planos.
O terceiro sentido inscreve-se no corpo, mas infiltra-se na alma.
O terceiro sentido é palavra que sempre fica por escrever, desejo que fica sempre por dizer.
O terceiro sentido move-se entre o silêncio que não se quer pronunciar mas que persiste.
O terceiro sentido é o que atravessa os dias como uma faca… e não faz ferida.

Saberás então com certezas que a solidão se apaga ao mais pequeno toque de alma. Que a paixão nasce do desejo egocêntrico de receber ou ganhar o que já te pertence. Que o que amas é a forma como te olhas no espelho do outro olhar, que embaciado pelo teu sussurro forte e quente, não se desnuda aos teus sentidos. Que na balança dos comportamentos pouco importa a altura dos olhos. E que a profundidade não se consegue medir sem símbolos. Que as comparações sofrem mutações constantes mas o primeiro caminho é sempre estanque. Que haverá sempre alguém a esperar-te. Que o retorno é poder e precisar partir a qualquer instante, mas querer ficar. E que por vezes o corpo é ultrapassado pelo olhar.

1 comentário:

António Baeta disse...

O terceiro sentido é a capacidade de te desvendares por dentro.
Gostei, Fátima.