terça-feira, junho 13, 2006

Sons de uma guitarra em espera



Caem-me dos dedos os sons que dedilham a guitarra. São gotas de ansiedade que encurtam a distância entre lugares improváveis e secretos que queremos visitar. Caem olhares perfeitos sobre a penumbra da música, sobre os dias que se seguem amanhã e depois, e depois do amanhã que voltará a passar. Volto a embalar-me nos abraços recém-desfeitos e a aconchegar-me nos sons que se soltam do teu olhar. Sou eu que te tento ouvir enquanto improviso melodias desassossegadas no caminho das notas que me saem nervosas. Os sons são momentos indecisos e improváveis que caem no esquecimento, assim como caem em mim os caminhos definidos e os sonhos delineados a névoa. Doce passagem do tempo que não conhece o percurso que nos leva para longe de casa. Doce improviso dos sonhos em constante mutação. Imprevisível improviso da imaginação. Dirias que tudo tem uma lógica certa, mas as certezas dos planos tranquilos e minuciosos não são mais do que sombras distantes das nuvens que sobrevoam outros países. Aqui não existem futuros e certamente também as promessas não cabem em nós. Só o som maleável deste momento e o improviso de duas respirações em contratempo. Só o passar dos segundos que caem inconstantes no meu pensamento enquanto a guitarra toca.

(2006)

1 comentário:

Antonio disse...

"...mas as certezas dos planos tranquilos e minuciosos não são mais do que sombras distantes das nuvens que sobrevoam outros países..."
Um beijo, encantado.