terça-feira, abril 28, 2009
Manhã
e num breve instante
sinto tudo
sinto-me tudo
Deito-me no meu corpo
e despeço-me de mim
para me encontrar
no próximo olhar
Ausento-me da morte
não quero nada
eu sou tudo
respiro-me até à exaustão
Nada me alimenta
porque sou feito de todas as coisas
e adormeço onde tombam a luz e a poeira
A vida (ensinaram-me assim)
deve ser bebida
quando os lábios estiverem já mortos
Educadamente mortos"
Mia Couto em
Raiz de Orvalho e Outros Poemas
domingo, abril 26, 2009
terça-feira, abril 07, 2009
Respiração mental
sexta-feira, abril 03, 2009
segunda-feira, março 30, 2009
Curiosidades...
quarta-feira, março 25, 2009
sexta-feira, março 20, 2009
E afinal, se calhar, também eu tenho amigos :)
Primeiro livro à mão, pagina 161, 5ª frase (como um endereço ...)
"Decorreu ano após ano e Goldmundo parecia ter esquecido que outra coisa havia no mundo além da fome, do amor e da fuga silente e sinistra das estações; parecia ter mergulhado por completo no primitivo mundo materno dos instintos."
(Heman Hesse - Narciso e Goldmundo)
Segue para mãos, pfg, andré , Baeta e D. (se por acaso estiverem por aí...)
Surpresa!!!
Lembrem-me para trazer os livros comigo...:) (porque me fazem falta... em muitas circunstâncias...).
quarta-feira, março 18, 2009
Carta
Dizem que morri, mas apenas mudei de morada.
Esvaziei-me dos sítios onde depositava as esperanças e contradições.
Parti para parte perdida no mapa, por não mais poder regressar à casa agora trancada, onde acumulei o pó e o tempo (...).
Algo se desassossega por aqui.
O que fazer das linhas trancadas nesse outro país distante, agora que não as faço existir?
O que fazer dos pedaços de sentidos que ali ficaram perdidos? (...) Deixo-te por herança paixões e inseguranças (...). Faz-las viver, ainda que longe, talvez na esperança de que alguma gota regresse ao mar que a espera, ou ao olhar que a viu partir. Talvez algum outro olhar também a queira receber.
Um grande abraço
Saudades
Sempre
Rita"
Há...
sexta-feira, março 13, 2009
Para não questionar
quarta-feira, março 11, 2009
terça-feira, março 10, 2009
quinta-feira, março 05, 2009
terça-feira, março 03, 2009
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Inconsequências
Um sentido disperso, tresmalhado, alheio aos tumultos e batimentos apressados do coração.
A mão no peito para sentir, a mão para medir, a mão confrontando e consolando o sorriso e a solidão. A mão sem sentido para socorrer preces que surgem abafadas pelo silêncio. Percorrer a pulsação. O ostinato dos pensamentos em ritmo de bossa nova.
A luz estanque. Pausa no encadear de ideias que persisto em querer deixar marcadas na tua vida. As mesmas palavras. Uma nova ordem nas palavras que te quero dar.
A memória descarrega imagens em perspectivas privadas e abstractas.
O sol escorregou em câmara lenta na trajectória impotente do céu morno sem saber como regressar. Recolheu e ordenou os pedaços rasgados do passado. E respirou com um só sopro.
Entrou em casa e fechou a porta.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
domingo, fevereiro 22, 2009
terça-feira, fevereiro 17, 2009
Ouvi hoje na rádio
ou como alguém há muito tempo me disse...
"... tudo se resume a amor e morte".
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Personificação e uma "simples" janela
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Também
"Também quero ser casa..."
(sobre a analise casual da raiz de algumas palavras)
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Competição vs Cooperação
"(...) enquanto continuarem a falar em competição - como sempre fazem - e não em cooperação, nada há-de mudar."
domingo, janeiro 11, 2009
sábado, janeiro 03, 2009
quinta-feira, janeiro 01, 2009
quarta-feira, dezembro 31, 2008
Hoje...
sexta-feira, dezembro 26, 2008
quarta-feira, dezembro 24, 2008
1 mês...
P.s. Já me esquecia... Bom Natal...
segunda-feira, novembro 24, 2008
Distâncias
quarta-feira, novembro 05, 2008
Sintomas
- Afta (imprevisível)
- Dores no pescoço/ombros (duro duro duro)
- Impossibilidade de organizar TUDO como gostaria (alguma sensação de descontrolo ou de demasiadas tarefas a cumprir)
- ...
segunda-feira, outubro 27, 2008
sábado, outubro 25, 2008
?
Decide-te rapariga :)) Se é que para isso tens poder para concretizar alguma decisão...
segunda-feira, outubro 20, 2008
Retratos de um dia I

Hoje recebi uma mensagem de um gajo bom (vulgo Homem Lindo). Confirmação. De novo segui para a estação para encontrar a A. ;)(vulgo Amiga Linda). A partir daqui, o dia ganha nova dimensão. Estes dias têm sido como que um enriquecer de alma para mim. Estes breves momentos reinventam em mim o usufruir de lugares, sabores, diálogos, a muito boa companhia, etc, etc. Estes momentos são um reencontro em mim. E é tão simples torná-los em “momentos felizes”, basta vivê-los. E agradecer a quem os proporciona. Basta olha-los como uma outra parte de nós, aparte da que acha que não existe lugar para esta outra, onde os horário não são uma imposição e onde os lugares são todos possíveis de se explorar e saborear, porque existem. Apenas chegar à conclusão que essa parte se enganou. Sim é possível desfrutar deles, basta fazê-lo. Enquanto o dia se faz noite e caminhamos pela cidade que ao pouco e pouco vai encerrando, planeamos futuros roteiros, descobrimos estranhas formas de flores escondidas entre a espuma de uma meia-de-leite, saboreamos comidas enviesadas com conteúdos inesperados. Falo de mim, e a A. ouve como só ela o sabe fazer, e acreditem que por vezes com muita paciência (porque até a mim mesma me apetece socorrer quando o cansaço me faz falar sem parar, principalmente porque gosto mais de a ouvir, do que me ouvir a mim própria a discursar) trocamos de lugar (queria ter sido melhor ouvinte) e estou feliz. Ultimamente são as coisas “simples” que me fazem mais feliz.
Depois é tempo de voltar a casa. Tenho no pensamento escrever sobre as tonalidades da tarde (“vou escrever A. vais ver depois” (…) “ hoje recebi uma mensagem de um gajo bom :) e vou escrever”). Imagino que o possa fazer sem floreados, de um modo concreto e directo, talvez utilizando o humor que utilizo no dia a dia, mas agora fica provado que a prática me demove de escrever de uma outra forma. Talvez um dia... Por hoje, cabe ainda o prazer de receber um postal da terra encantada (Açores) onde as letras da saudade são escritas também por mãos especiais e os meus olhos as lêem com um sorriso nos lábios (aproveita :)ainda havemos de te ir visitar). Cabe ainda um pouco do ego elevado pela recepção, ao chegar a casa, de uma excelente avaliação, numa já distante andança em formação profissional.
Para terminar cabe-me o prazer de escrever. Dito isto, é tempo de tardiamente jantar, entregar-me aos planos de outro dia, abandonar-me ao aconchego da leitura e finalmente adormecer.
Para a semana há mais A..
P.s. eu sei que é só uma mensagem mas gostei de a ter recebido ;) tudo de bom. SEMPRE :):):)
Os trinta
sábado, outubro 11, 2008
Decoração
terça-feira, outubro 07, 2008
3 x ...
(Devo estar a viver, sem me aperceber, vidas paralelas. Certamente!)
terça-feira, setembro 09, 2008
domingo, setembro 07, 2008
"Libertango"
Como ser feliz (ou breve crónica de uma noite repetida em branco)
E a despedida sem nome, em forma de reencontro. As guitarras distantes. O regresso a casa desenhando passos sonâmbulos, serenos e lentos. As mãos ainda quentes.
O regresso desenhado pensamentos. Os sorrisos que deixaste por dentro.
Os sorrisos renascidos, como beijos, calando pouco a pouco a solidão.
(07-09-08)
sábado, setembro 06, 2008
sexta-feira, agosto 29, 2008
Doce, ténue, pálido, sagrado
És frágil por não desejares viver sem medo.
Sobrepões os lugares, os dias e os anseios à tua vontade,
Sobrevives sem pulsação.
Idades sem contagem, tempos sem duração.
Tens o empenho dos desejos por cumprir
Alheio aos sons, ao olhar, ao toque, à pele nua,
Ao sopro do vento quente que soletra desencontros enquanto corre contente pela rua,
Ao sangue frio que derramas enquanto descuidas o que amas.
Sofres a solidão em rascunhos de relações desaprovadas,
Resquícios de outras histórias com sobras de uma ilusão.
Semeias culpas inseguras em noites inacabadas,
Regressos a casa sem planos para partir.
Compões harmoniosos prelúdios que morrem sem se tornarem canção.
E depois de em ti serem consumadas todas as incertezas, todas as vaidades,
Todas as inquietações,
Todas as verdades,
Nasces de novo.
Voltas a sorrir.
(Agosto 2008)
sábado, agosto 09, 2008
A primeira manhã
Por baixo da porta um recado:
Espera por mim, estou desejoso por te ver de novo.
(Jullho de 2008)
(referente ao tema "desejo" na Minguante - revista de micronarrativas nº 11)
domingo, junho 08, 2008
Resolução
suavemente ao ouvido
cansado
de esperar
pelo que virá para o substituir...
domingo, dezembro 02, 2007
terça-feira, agosto 07, 2007
À luz do dia
sábado, agosto 04, 2007
terça-feira, junho 19, 2007
Com a luz de um amor perdido
O tempo.
O regresso a casa sem qualquer outra companhia.
O momento em que mudaste de cidade.
Ou talvez tivesses morado de direcção na estrada. Ou mudaste de amor.
Ou o tempo quebrou-se enquanto chegava a casa e desordenou todas as coordenadas da tua localização.
As linhas ordenam-se com regressos ao presente de outros dias. São remendadas as verdades prematuras e disfarçadas convicções ancestrais, apelidadas pelo verbo amadurecer. São imóveis os momentos da mudança dos ventos, porque não te movimentam mais em meu redor. E voltamos ao lugar mais escuro, onde a luz penetra com agilidade, onde nos despedimos até a um mais ver.
És, talvez, amor sem encontro, sem procura e sem intenção. Sem olhar, fingido cego e aparentando casualidade, guiado para o querer ver.
Desenho abstracto de uma luz que descende de um outro tempo.
Sabor enevoado de um banquete sublime à luz de uma lâmpada já apagada.
P.S. A produção escrita escassa por falta de net e de outras condicionantes alheias à minha real vontade. A minhas desculpas aos meus visitantes e amigos, que me acompanham sempre, mesmo quando as distâncias não me trazem a esta esfera. Obrigado, obrigado, obrigado sempre.:)
domingo, abril 29, 2007
O caminho instintivo
Domingo. O dia acorda cedo e sacode restos de sonhos de uma noite folgada. Surge a ideia ainda incerta e ensonada de nos fazermos à estrada. E a ideia faz-se acção.
O carro percorre sem pressa o caminho. Poucos são os que se cruzam por nós. Instalo-me sem pressa no conforto de um passeio sem tempo a cumprir, onde o propósito é receber o que a terra tem para dar, instalar-me discretamente como parte do toda a paisagem que vou percorrendo.
Falamos de muitas coisas. Trocam-se ideias sobre gentes e terras, o bem e o mal que vem da exploração dos recursos e da natureza, o bem que nos faz o cheiro do mar e a paisagem ainda poderosamente ingénua por ser quase intocável, ainda…Discutem-se, pacificamente e sensatamente, os estados da vida que nos vai rodeando e que ultrapassamos na estrada. Meia dúzia de minutos ou aquilo que os sentidos nos sugerem como momento intemporal ou será ainda o tempo que se esvai através das palavras que se vão trocando pelo caminho… E o caminho percorre-se… junto à paisagem, às palavras, ao sossego, ao silêncio.
Sente-se o silêncio, o que fica por detrás do silêncio. E chegamos finalmente ao lugar secreto (que em fé espero tornar-se realmente secreto para que perdure no tempo e no espaço). A manhã esteve clara, calma e aconchegante. Pelas ruas quase desertas passeavam luzes quentes que o sol nos dispunha e a sombra que lhe completava. E alguns turistas também, acho. Tentei fotografar, sem sucesso, as imagens que se desenhavam das ruas estreitas e as cores e os sons que por ali iam passando mas por vezes não há melhor retrato que a futura memória que um momento retém no nosso olhar, esse sim, nestas altura, infalível e multifacetado, porque recolhe todos os outros sentidos e os associa a emoções. A meia de leite soube-me bem. A viajem ao longo do vale também. Ali onde se tocam o Algarve e o Alentejo, a ribeira e o mar, o verde e o branco, a pedra e a areia, as contradições que se completam e se transfiguram num só desempenho. Entre o céu e a terra, todas as fronteiras de um só lugar. Um óptimo exemplo de convivência para a natureza humana. Ali repreendi a redescobrir algumas das lições mais básicas da nossa composta (e algumas vezes simples) existência. Espelhar-me nesse lugar, como em tantos outros por onde passo e passarei, agarrando a consciência da sua múltipla existência em mim.
E de novo, serenamente, voltamos a casa de alma lavada, prometendo intimamente continuar a sentirmo-nos assim.
domingo, março 11, 2007
quinta-feira, dezembro 28, 2006
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Linha sem tempo
Perdem-se, de tempo a tempo, os desejos mais apetecidos.
Soltam-se somas pesadas das recomendações diárias que o mundo me sussurra constantemente. E essas nossas verdades assumem contornos dispersos. A contagem dos minutos transforma-se no mais ausente dos meus sentidos. Aceito-me, com prazer, na imensurabilidade dos meios-termos, o novo mundo das intensidades secretas que se concebem entre os opostos. O reviver cada dia de uma só vez. Criar o momento mais concreto, escondido para outros sorrisos, entre o tudo e o nada. A calma de saber existir.
Existo e persisto.
Os dias contornam-se com novas formas e preenchem-se com outras tonalidades.
As linhas largadas, esquecidas e estagnadas em folhas revistas e rasuradas pela demora, já não te perseguem. Os teus rascunhos de um tempo futuro não pertencem a esta nova forma de me traçar sem tempo.
Deixo contigo a demorada despedida e a mala cheia de toda a roupa despida depois de te ter beijado de novo.
Abraços que se perdem junto a lágrimas que ainda teimam em persistir dentro de nós.
Os olhos nublados que ganham um eterno tom cinzento.
Resistir às lágrimas como se o corpo tivesse vontade própria.
segunda-feira, novembro 13, 2006
quarta-feira, novembro 01, 2006
Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minutos da cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta -me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer"
Mia Couto
Raiz do Orvalho e outros poemas
Editorial Caminho, lisboa, 1999
Enquanto preparo novas palavras... em breve.
segunda-feira, outubro 23, 2006
quinta-feira, outubro 12, 2006
Saudade de um quase nada
Quando o mar se esbate e a luz é mate.
Quando amantes apressados regressam dois a dois
E não existe ainda o depois,
Quando o cansaço repousa num beijo
E o medo se entorna no desejo,
Quando sorrisos se abrem em olhos sem cor
E a vida se sobrepõe ao pudor;
Tudo é mentira e tudo é verdade,
E sente-se na indiferença a saudade.
P.s.: A vossa atenção para "este lugar". A ler os links para mais informação. Eu subscrevo e agradeço a iniciativa.
quarta-feira, outubro 04, 2006
quarta-feira, setembro 20, 2006
Meia hora numa estrada sobre o mar
Meia hora é o tempo que demora o passado a passar.
(Publicado no DNJovem em Janeiro de 2003)
terça-feira, setembro 12, 2006
sábado, setembro 09, 2006
terça-feira, agosto 29, 2006
Nova passagem para outro tempo

quinta-feira, agosto 24, 2006
Sobre estrelas...

De novo em casa. Folheio sem pressa algumas páginas dos meus recentes tesouros.
A primeira frase com que me confrontei, num céu muito pouco estrelado :
" - As pessoas têm estrelas, que não são as mesmas para todas elas. Para uns, os que viajam, as estrelas são guias. Para outras não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu homem de negócios, eram ouro. Todas essas estrelas, porém, permanecem caladas. Mas tu terás estrelas como ninguém tem..."
Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho
(Vega, 1.ª edição,1994, pág. 91; Tradução de Alice Gomes)
Pergunto-me como serão? ...
domingo, agosto 13, 2006
O fio da memória
Escorre por mim como quem foge de um destino por cumprir. Fio entrelaçado de risos e choros, gostos e desgostos.O reflexo dos raios de sol que ainda não amanheceram.
Reflecte em mim mares dispersos, quartos demasiado quentes ou planicies de céu, desbotadas e rotas.
Corre apressado, agarrado ao tempo, gastando-se em si.
Até ao fim, permanecendo apenas numa gota.
(Na parede coloco hoje também a minha mais recente descoberta e paixão: fotografar. Formas, cores, texturas e sensações disponiveis em Olhares)
quinta-feira, agosto 10, 2006
Razões para te agradecer
Porque semeias as perguntas através dos olhos que prolongam o horizonte.
Porque descobres folhas esvaziadas de encontros atordoados pela desilusão.
Porque amachucas as páginas que revelam a sombra das histórias inúteis e banais, e os sonhos que todos desejamos acordados.
Porque predizes anos sem vazio no vazio das palavras que caem dentro de ti.
Porque permaneces onde é preciso eu ir para te encontrar, sem dúvidas ou esperas sussurradas pelos relógios dos outros.
Porque me esperas entre as indecisões e os segundos dos receios inacabados, fugindo a cada passo nos pensamentos desabitados das gentes que nos rodeiam.
Porque não revelas os segundos que te separam do tempo e te descobres por dentro e em vão. Porque encontras em cada sossego, um novo pensamento e um novo chão no mesmo incontornável lugar.
Porque os anjos são teus amigos e o céu está longe de nós.
Porque a terra te inventa dentro do dia e te deixa entardecer.
Porque a noite nos embrulha para nos deixar descobertos na manhã crua sem nunca se esquecer de nós.
Porque a escuridão é uma nódoa nua onde se espelha a nossa solidão.
Porque o fim do dia se repete todos os dias em que estamos sós.
Porque eu me agarro à vida cada vez que te visito ao passado prolongado e projectado nas cidades onde o depois quer habitar.
Porque os sonhos não têm sitio onde pernoitar quando o teu calor chega, do fundo da rua. Porque as estradas ondulam quando os teus pés se sentam nelas.
Porque as calçadas se curvam quando sentem a tua miragem.
Porque eu me faço passagem quando te vejo passar.
Porque és cura na ausência de outras mãos que me possam agarrar.
Porque o abraço se derramou pela ternura desse sorriso sem mundo.
Porque este corpo não é suficiente para agradecer a aragem que te faz existir e onde podes suspirar e adormecer.
Porque te vejo na praia dos sentimentos que de mim se espraiam em imensidão.
Porque em ti descanso o grito feito a chorar pela ilusão de me perder.
Porque me faço existir sem te encontrar e talvez te ame, só e sempre junto ao mar.
(Publicado no DNjovem em Dezembro de 2002)
segunda-feira, agosto 07, 2006
Dá-me a mão...
sexta-feira, agosto 04, 2006
quinta-feira, agosto 03, 2006
quarta-feira, agosto 02, 2006
Nomes
terça-feira, julho 25, 2006
Sina...
terça-feira, julho 18, 2006
Encontro
Entre silêncios abandonados.
Singelos.
Coisas poucas,
Quase nada.
Aragem dispersa.
Ausência entre duas margens
Que se tocam e provocam,
Sem pressa.
Existências semeadas
Sobre medos paralelos.
Cala-se o tempo.
Perde-se o amanhecer
No teu cabelo,
E antes que saia de mim
A madrugada,
Num súbito instante
sou e sucumbo.
Inquieto o mar em mente,
Desperto o mar em prazer.
Violo impunemente
As aparências.
Consolo o calor e canso a calma.
Abandono a minha imagem
Na areia morta da praia.
sexta-feira, julho 14, 2006
Simplicidade
sexta-feira, julho 07, 2006
Beira-mar
Quando foi que te avistei?
Pressenti a minha vida
E na terra naveguei
Com noites abri a ferida
E com sonhos a curei.
Bálsamo calmo e vazio
Presença de um sol esquecido
Gelo frágil, só e frio
Cura da noite a lembrança
Lamento de um barco perdido
A paga a lenta esperança.
Visão que se apaga e repete
Repartindo o nevoeiro
Entre a planície e a serra.
A lua perdida das estrelas
Encontra por fim o veleiro
Que sem velas e sem lume
Promete ancorar na terra.
terça-feira, julho 04, 2006
sábado, junho 24, 2006
Metamorfose inconstante

Desta vez dei por mim entornando lágrimas de cansaço
Sobre as terras necessitadas, ressentidas
E abandonadas de abraços.
Uma provocante enchente nas carências desabitadas
De uma planície distante, constante e vazia
Onde só se encontrava o dia.
Nem estrelas, nem luas, nem passagens pernoitavam nessa região
Onde pedaços de vento calcavam imóveis
Qualquer miragem, qualquer ilusão.
Na aragem morta da seara inexistente,
A água correu
E do pó nasceu o mar,
Com o mar veio a maré
E com a maré o luar.
Do salgado chão sedento
Cresceu um céu azul nocturno e estrelado
Espelhado em mar e alento.
A tinta escura da noite manchou o momento estanque
Enquanto olhava de mim mesmo outro reflexo,
Noctívago e sem pranto.
Só
Uma gota de outro tempo e outro espaço
Secava ao relento.
(publicado no DNJovem em 2001)
terça-feira, junho 20, 2006
domingo, junho 18, 2006
Estação dos pensamentos
Sem cansaço.
Imensidões sem embaraço.
Serenos obstáculos que aportam na madrugada
Onde encontramos o espaço
Estilhaçado no chão.
Onde os sonhos passam lentos.
É um lugar de uma só cor a olhos abertos
Encobertos pela visão.
A boca cobra o silêncio sibilante que se derrete
Enquanto toca os lábios fechados,
Pedindo o seu perdão.
Lugar de tanto dentro de nada.
Traços sublinhados por caminhos cruzados
E o calor que seca o movimento:
Arde como a chama, voa como o vento.
Este é o lugar onde a vida faz eco no chamamento.
quinta-feira, junho 15, 2006
Respirar de novo
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("Respirar de novo"- Música: Pedro Guerreiro/Interpretação: Quarteto Zawaia)
terça-feira, junho 13, 2006
Sons de uma guitarra em espera

Caem-me dos dedos os sons que dedilham a guitarra. São gotas de ansiedade que encurtam a distância entre lugares improváveis e secretos que queremos visitar. Caem olhares perfeitos sobre a penumbra da música, sobre os dias que se seguem amanhã e depois, e depois do amanhã que voltará a passar. Volto a embalar-me nos abraços recém-desfeitos e a aconchegar-me nos sons que se soltam do teu olhar. Sou eu que te tento ouvir enquanto improviso melodias desassossegadas no caminho das notas que me saem nervosas. Os sons são momentos indecisos e improváveis que caem no esquecimento, assim como caem em mim os caminhos definidos e os sonhos delineados a névoa. Doce passagem do tempo que não conhece o percurso que nos leva para longe de casa. Doce improviso dos sonhos em constante mutação. Imprevisível improviso da imaginação. Dirias que tudo tem uma lógica certa, mas as certezas dos planos tranquilos e minuciosos não são mais do que sombras distantes das nuvens que sobrevoam outros países. Aqui não existem futuros e certamente também as promessas não cabem em nós. Só o som maleável deste momento e o improviso de duas respirações em contratempo. Só o passar dos segundos que caem inconstantes no meu pensamento enquanto a guitarra toca.
(2006)
domingo, junho 11, 2006
terça-feira, junho 06, 2006
Antes de partir
(Publicado no DNJovem em Janeiro de 2003)
Continuo a pendurar na parede fotografias do passado. São elas que reflectem o presente neste momento... Em breve mudarão os sentidos e partiremos para outros lugares. Já se sentem no ar os passos que o amanhã seguirá.
terça-feira, maio 30, 2006
sexta-feira, maio 26, 2006
Sempre de volta a um outro eu
(Outubro 2002)
(Aos que se reinventam depois das tempestades)
quarta-feira, maio 24, 2006
Saudade de casa
sexta-feira, maio 19, 2006
Silêncio em contratempo
Tentei decifrar o código secreto e inoportuno dos aglomerados conceitos que por mim iam penetrando, fundindo-se impassíveis com o deslizar de uma luz baça criada pelo balanço do tempo, que escorregou no vazio. Movimento congénito de um princípio sem fim. Realidade controlada por uma existência aparente, quando se respiram medos, suprimindo o ar, e se olham os segredos da alma, ao invés de se olhar o mar.
Dei por mim na demora de uma quietude compulsiva, sem latejo nem pulsação, ansiando encontrar o trajecto de retorno aos contornos do coração. Uma persistente pausa de luar e vento amachucou os sentidos sem endereço e estancou a demora de uma imagem desfocada e angustiada onde me revi. Descrevi-me tal como o poema que se constrói apenas pela rima.
Passearam pelas paredes desenhos das sombras do mundo e a contagem de um tempo edificado antes dos relógios que agora persistem por aqui. Pêndulos partidos pelo fantasma da vontade de regressar. Passaram por aqui estações de contemplação e alento, e estradas sem origem, nem berma, nem assento. Eternidades longínquas onde vos entendi com outras linguagens e desejos.
Outros sons nasceram conquistando, impiedosos, cidades de desamparo que amainaram a desilusão. Triunfaram relatos de escritos sem passado onde a espera tornou-se cura e os apelos caíram no chão.
Resisti com esse olhar confuso onde as lágrimas querem imitar os rios.
Descansei então o peso dos relatos de futuros que nunca vivi. Dei por mim a ultrapassar sonhos que atravessaram imunes, a sombra das derrotas e das saudades por cumprir. Revi-me em pecados impunes que ninguém presenciou nem renunciou. Sobrevivi a este silêncio solene, embalando-me na passagem dos devaneios rebeldes que também adormeceram por fim. Depois, dei por mim a sorrir.
(Publicado no DNJovem a 19 de Maio de 2006)
(Porque, por vezes, os silêncios dão voz aos imensos, complexos e enleados mundos que passam por nós)
quarta-feira, maio 17, 2006
A parede e a solidão

Na parede branca passou, passeando, uma solidão sem sombra. Restou a imagem dos passos lentos, pesados, sem tempo nem direcção, que deambularam à procura de um passado ou de um abrigo... Fugindo vagarosamente da calma que a condenava... Restou a parede branca. A solidão não abarca o apelo da luz alva nem o apego dos dias claros de sol...
domingo, maio 14, 2006
Éden
Que os deuses repousam;
Nessas sombras brancas
Onde se espelham as nuvens,
Onde o som sossega e o silêncio cai.
É pelo olhar distante
Que o sono se entorna
Gota a gota
Sobre a cama vazia
E a manhã recorda,
Serena e atenta,
O acordar de outro dia.
É sobre o teu respirar lento
Que a luz expira, cansada,
E a lua se casa com o vento.
É no amanhecer das pedras
Que os deuses sonham.
As folhas caem, atordoadas pelo tempo,
Na calçada deserta, onde os passos calam.
Nelas se escrevem outras lendas,
Outros abraços.
É a distancia do corpo
Que as lágrimas anunciam;
Ponte suspensa em margem alheia.
É no segredo do mundo
Que a alma vagueia,
É no segredo das almas
Que os deuses suspiram.
(Dezembro 2001)
terça-feira, maio 09, 2006
sábado, maio 06, 2006
Silêncio e humidade
Secaste sozinho as tuas lágrimas, já não me deixas lavar nelas. Calaste as canções e os anúncios da rádio. Trancaste os sons da noite, o noticiário e os relatos de futebol. Levaste o vento que assobiava na janela e na velha chaleira. Os vidros enevoados da água a ferver para o chá. Calaste os sorrisos.
Tudo é silêncio e humidade.
O silêncio é a língua dos corpos sem sombra. É a massa invisível do toque. O recanto, o soluço, o gesto, o sonho, o sossego, o futuro, o espaço mais embaraçado da alma. A casa.
O silêncio é o passatempo dos sonhadores imóveis e o retracto dos aviadores de esperança quando acabam por aterrar. O contratempo dos condutores de vazio que vagueiam sem se notar, espectros inoportunos que acenam desejos ocultos e beijam as mãos antes de as tocar.
O silêncio é a viagem embaciada e desfocada que concebo dos teus olhos.
Tens a dádiva de os ler. Foi essa a língua que aprendeste a usar.
Descreves a vida dos sons mudos que te caem no olhar. E eu recebo-os como a causa que anuncia o desbotar dos sentidos. O ensurdecer das tentações. O tombo inquestionável das resignações fúteis.
Tudo é silêncio e humidade.
Quiseste realçar o pó nas paredes imóveis e despedaçar os vasos com flores secas que não cuidei. Ordenaste a passividade dos sonhos. Construíste-me absorta nos teus pensamentos que já não se escrevem aqui. Sem me aperceber, aqueceste-me na lareira sem lenha, antes de sair.
Amontoado de lume prestes a estrear, acondicionado num sopro de memória. Vento bafio que permaneceu no teu lugar. Sueste nocturno enclausurado na raiz de uma antiga e afeita vontade que não se pode cumprir.
Perdi os recados e as anotações da vida em dicotomia, choquei de frente contra a luz insípida da manhã, cruzei com perícia o caminho dos sonhos e da monotonia.
Creio que chorei. Julgo que te humedecia também o olhar.
Enquanto secava lagrimas desfiadas pelos sons das lembranças corrompidas, fugias dos silêncios que tinha guardado para te dar.





























