terça-feira, setembro 09, 2008
domingo, setembro 07, 2008
"Libertango"
Como ser feliz (ou breve crónica de uma noite repetida em branco)
E a despedida sem nome, em forma de reencontro. As guitarras distantes. O regresso a casa desenhando passos sonâmbulos, serenos e lentos. As mãos ainda quentes.
O regresso desenhado pensamentos. Os sorrisos que deixaste por dentro.
Os sorrisos renascidos, como beijos, calando pouco a pouco a solidão.
(07-09-08)
sábado, setembro 06, 2008
sexta-feira, agosto 29, 2008
Doce, ténue, pálido, sagrado
És frágil por não desejares viver sem medo.
Sobrepões os lugares, os dias e os anseios à tua vontade,
Sobrevives sem pulsação.
Idades sem contagem, tempos sem duração.
Tens o empenho dos desejos por cumprir
Alheio aos sons, ao olhar, ao toque, à pele nua,
Ao sopro do vento quente que soletra desencontros enquanto corre contente pela rua,
Ao sangue frio que derramas enquanto descuidas o que amas.
Sofres a solidão em rascunhos de relações desaprovadas,
Resquícios de outras histórias com sobras de uma ilusão.
Semeias culpas inseguras em noites inacabadas,
Regressos a casa sem planos para partir.
Compões harmoniosos prelúdios que morrem sem se tornarem canção.
E depois de em ti serem consumadas todas as incertezas, todas as vaidades,
Todas as inquietações,
Todas as verdades,
Nasces de novo.
Voltas a sorrir.
(Agosto 2008)
sábado, agosto 09, 2008
A primeira manhã
Por baixo da porta um recado:
Espera por mim, estou desejoso por te ver de novo.
(Jullho de 2008)
(referente ao tema "desejo" na Minguante - revista de micronarrativas nº 11)
domingo, junho 08, 2008
Resolução
suavemente ao ouvido
cansado
de esperar
pelo que virá para o substituir...
domingo, dezembro 02, 2007
terça-feira, agosto 07, 2007
À luz do dia
sábado, agosto 04, 2007
terça-feira, junho 19, 2007
Com a luz de um amor perdido
O tempo.
O regresso a casa sem qualquer outra companhia.
O momento em que mudaste de cidade.
Ou talvez tivesses morado de direcção na estrada. Ou mudaste de amor.
Ou o tempo quebrou-se enquanto chegava a casa e desordenou todas as coordenadas da tua localização.
As linhas ordenam-se com regressos ao presente de outros dias. São remendadas as verdades prematuras e disfarçadas convicções ancestrais, apelidadas pelo verbo amadurecer. São imóveis os momentos da mudança dos ventos, porque não te movimentam mais em meu redor. E voltamos ao lugar mais escuro, onde a luz penetra com agilidade, onde nos despedimos até a um mais ver.
És, talvez, amor sem encontro, sem procura e sem intenção. Sem olhar, fingido cego e aparentando casualidade, guiado para o querer ver.
Desenho abstracto de uma luz que descende de um outro tempo.
Sabor enevoado de um banquete sublime à luz de uma lâmpada já apagada.
P.S. A produção escrita escassa por falta de net e de outras condicionantes alheias à minha real vontade. A minhas desculpas aos meus visitantes e amigos, que me acompanham sempre, mesmo quando as distâncias não me trazem a esta esfera. Obrigado, obrigado, obrigado sempre.:)
domingo, abril 29, 2007
O caminho instintivo
Domingo. O dia acorda cedo e sacode restos de sonhos de uma noite folgada. Surge a ideia ainda incerta e ensonada de nos fazermos à estrada. E a ideia faz-se acção.
O carro percorre sem pressa o caminho. Poucos são os que se cruzam por nós. Instalo-me sem pressa no conforto de um passeio sem tempo a cumprir, onde o propósito é receber o que a terra tem para dar, instalar-me discretamente como parte do toda a paisagem que vou percorrendo.
Falamos de muitas coisas. Trocam-se ideias sobre gentes e terras, o bem e o mal que vem da exploração dos recursos e da natureza, o bem que nos faz o cheiro do mar e a paisagem ainda poderosamente ingénua por ser quase intocável, ainda…Discutem-se, pacificamente e sensatamente, os estados da vida que nos vai rodeando e que ultrapassamos na estrada. Meia dúzia de minutos ou aquilo que os sentidos nos sugerem como momento intemporal ou será ainda o tempo que se esvai através das palavras que se vão trocando pelo caminho… E o caminho percorre-se… junto à paisagem, às palavras, ao sossego, ao silêncio.
Sente-se o silêncio, o que fica por detrás do silêncio. E chegamos finalmente ao lugar secreto (que em fé espero tornar-se realmente secreto para que perdure no tempo e no espaço). A manhã esteve clara, calma e aconchegante. Pelas ruas quase desertas passeavam luzes quentes que o sol nos dispunha e a sombra que lhe completava. E alguns turistas também, acho. Tentei fotografar, sem sucesso, as imagens que se desenhavam das ruas estreitas e as cores e os sons que por ali iam passando mas por vezes não há melhor retrato que a futura memória que um momento retém no nosso olhar, esse sim, nestas altura, infalível e multifacetado, porque recolhe todos os outros sentidos e os associa a emoções. A meia de leite soube-me bem. A viajem ao longo do vale também. Ali onde se tocam o Algarve e o Alentejo, a ribeira e o mar, o verde e o branco, a pedra e a areia, as contradições que se completam e se transfiguram num só desempenho. Entre o céu e a terra, todas as fronteiras de um só lugar. Um óptimo exemplo de convivência para a natureza humana. Ali repreendi a redescobrir algumas das lições mais básicas da nossa composta (e algumas vezes simples) existência. Espelhar-me nesse lugar, como em tantos outros por onde passo e passarei, agarrando a consciência da sua múltipla existência em mim.
E de novo, serenamente, voltamos a casa de alma lavada, prometendo intimamente continuar a sentirmo-nos assim.
domingo, março 11, 2007
quinta-feira, dezembro 28, 2006
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Linha sem tempo
Perdem-se, de tempo a tempo, os desejos mais apetecidos.
Soltam-se somas pesadas das recomendações diárias que o mundo me sussurra constantemente. E essas nossas verdades assumem contornos dispersos. A contagem dos minutos transforma-se no mais ausente dos meus sentidos. Aceito-me, com prazer, na imensurabilidade dos meios-termos, o novo mundo das intensidades secretas que se concebem entre os opostos. O reviver cada dia de uma só vez. Criar o momento mais concreto, escondido para outros sorrisos, entre o tudo e o nada. A calma de saber existir.
Existo e persisto.
Os dias contornam-se com novas formas e preenchem-se com outras tonalidades.
As linhas largadas, esquecidas e estagnadas em folhas revistas e rasuradas pela demora, já não te perseguem. Os teus rascunhos de um tempo futuro não pertencem a esta nova forma de me traçar sem tempo.
Deixo contigo a demorada despedida e a mala cheia de toda a roupa despida depois de te ter beijado de novo.
Abraços que se perdem junto a lágrimas que ainda teimam em persistir dentro de nós.
Os olhos nublados que ganham um eterno tom cinzento.
Resistir às lágrimas como se o corpo tivesse vontade própria.
segunda-feira, novembro 13, 2006
quarta-feira, novembro 01, 2006
Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minutos da cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta -me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer"
Mia Couto
Raiz do Orvalho e outros poemas
Editorial Caminho, lisboa, 1999
Enquanto preparo novas palavras... em breve.
segunda-feira, outubro 23, 2006
quinta-feira, outubro 12, 2006
Saudade de um quase nada
Quando o mar se esbate e a luz é mate.
Quando amantes apressados regressam dois a dois
E não existe ainda o depois,
Quando o cansaço repousa num beijo
E o medo se entorna no desejo,
Quando sorrisos se abrem em olhos sem cor
E a vida se sobrepõe ao pudor;
Tudo é mentira e tudo é verdade,
E sente-se na indiferença a saudade.
P.s.: A vossa atenção para "este lugar". A ler os links para mais informação. Eu subscrevo e agradeço a iniciativa.












