segunda-feira, janeiro 11, 2010
Não sei escrever
Não sei escrever quando o silêncio se emaranha nas palavras. Obedeço a este pálido intermitente silêncio que constrói falsos e adulterados tectos de estranhas impressões onde se deviam alojar os sentidos. Não sei escrever quando a inquietação abafa a vontade de me sentir também fora de mim. Vou tropeçando nas memórias de poemas imaginados noutros tempos. As palavras travam e esbarram umas nas outras em cruzamentos desencontrados, ferem-se em interpretações desordenadas, brotam dos sentimentos incompletos, e dos anseios de mover a vida em contravolta e seguem de novo em contramão. O silêncio que me desfaz de ti, faz com que os meus pés se movam e cheguem a um mesmo lugar. Faz com que as mão se ceguem no caminho da tua voz do outro lado das tecnologias inertes. O silêncio. A pausa para sonhar. Chama por mim de algum modo, põe-me a escoltar o meu coração, ainda que ele apenas suspire de esperança. Toma o passo, sereno, firme, frio e molhado. Rumo preciso mas em direcção criada por forças mestres da natureza. O vento sopra em mim também. Vagueia no meu corpo e faz ondulá-lo no tempo. Não sei escrever quando os sons se amontoam no que ainda não fiz nem fizeste, não disse nem disseste. Não sei escrever quando apenas espero pelo silêncio, esperando que não seja inerte.
segunda-feira, dezembro 28, 2009
segunda-feira, dezembro 14, 2009
quinta-feira, dezembro 10, 2009
Inversão
Entrelaço os dedos uns nos outros e num posterior acto reflexo questiono, sem sentido, os sentidos sobre que acção consumar a seguir. E este momento repete-se vezes sem conta, apercebendo-se de que a cada repetição se torna simplesmente repetitivo. Entre os dedos entrelaçados uns nos outros, as questões que se propõem no vácuo do pensamento e a falta de respostas aos sentidos despertos mas quietos, passa o tempo e passas também. Mas o que eu realmente sinto é desejo de não questionar e passar pelo tempo contigo, repetindo-o.
quarta-feira, dezembro 09, 2009
segunda-feira, novembro 30, 2009
terça-feira, novembro 24, 2009
segunda-feira, novembro 23, 2009
Um terceiro sentido…
O terceiro sentido é estranho às palavras que utilizamos para descrever os dias.
O terceiro sentido é alheio à mente e não cabe na gaveta da memória e dos planos.
O terceiro sentido inscreve-se no corpo, mas infiltra-se na alma.
O terceiro sentido é palavra que sempre fica por escrever, desejo que fica sempre por dizer.
O terceiro sentido move-se entre o silêncio que não se quer pronunciar mas que persiste.
O terceiro sentido é o que atravessa os dias como uma faca… e não faz ferida.
Saberás então com certezas que a solidão se apaga ao mais pequeno toque de alma. Que a paixão nasce do desejo egocêntrico de receber ou ganhar o que já te pertence. Que o que amas é a forma como te olhas no espelho do outro olhar, que embaciado pelo teu sussurro forte e quente, não se desnuda aos teus sentidos. Que na balança dos comportamentos pouco importa a altura dos olhos. E que a profundidade não se consegue medir sem símbolos. Que as comparações sofrem mutações constantes mas o primeiro caminho é sempre estanque. Que haverá sempre alguém a esperar-te. Que o retorno é poder e precisar partir a qualquer instante, mas querer ficar. E que por vezes o corpo é ultrapassado pelo olhar.
O terceiro sentido é alheio à mente e não cabe na gaveta da memória e dos planos.
O terceiro sentido inscreve-se no corpo, mas infiltra-se na alma.
O terceiro sentido é palavra que sempre fica por escrever, desejo que fica sempre por dizer.
O terceiro sentido move-se entre o silêncio que não se quer pronunciar mas que persiste.
O terceiro sentido é o que atravessa os dias como uma faca… e não faz ferida.
Saberás então com certezas que a solidão se apaga ao mais pequeno toque de alma. Que a paixão nasce do desejo egocêntrico de receber ou ganhar o que já te pertence. Que o que amas é a forma como te olhas no espelho do outro olhar, que embaciado pelo teu sussurro forte e quente, não se desnuda aos teus sentidos. Que na balança dos comportamentos pouco importa a altura dos olhos. E que a profundidade não se consegue medir sem símbolos. Que as comparações sofrem mutações constantes mas o primeiro caminho é sempre estanque. Que haverá sempre alguém a esperar-te. Que o retorno é poder e precisar partir a qualquer instante, mas querer ficar. E que por vezes o corpo é ultrapassado pelo olhar.
?
Ensina-me a respirar! :)
Ensina-me a ser feliz! :)
E eu ensino-te também...
Mas aprender não é recordar aquilo que no fundo já sabemos?
Ensina-me a ser feliz! :)
E eu ensino-te também...
Mas aprender não é recordar aquilo que no fundo já sabemos?
terça-feira, novembro 17, 2009
Respirar
Inspirar, expirar, inspirar, expirar,
Inspirar, expirar,
Inspirar... expirar...
Inspirar...
Expirar...
...
...
Inspirar, expirar,
Inspirar... expirar...
Inspirar...
Expirar...
...
...
domingo, novembro 15, 2009
Livros
"Bea diz que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos."
A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafóm
A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafóm
segunda-feira, novembro 09, 2009
sexta-feira, novembro 06, 2009
domingo, outubro 25, 2009
Espaço para crescer
Porque os pensamentos se atropelam constantemente e os sentidos se cruzam em inúmeras direcções, não saberei o que escrever quando as horas se cumprirem no lado errado da geografia dos meus abraços fechados, quando a distância que me leva amanhã para o aquém me ditar a vontade de a mim mesma me redimir.
E assim, a escolha se faz mudança e a rotina dita descrentes e absurdos mecanismos, entorpecendo os sons e os silêncios. E assim, contando segundos que da janela do carro vão sobejando, não cabo dentro de mim, apenas existo e persisto por fora. Porque o vento de que me alimento não sopra por essas paragens. Esse outro mar não recolhe imagens de cores transfiguradas pelos meus sonhos, mesmo distantes. Esse mar não me pertence. Esse mar não me reflecte no olhar. O céu é uma mancha de azul esbatido e vacilante, que não respira em mim.
E mesmo a tua ausência, perpétuo mantimento de uma alma insaciável, é agora supérflua e impotente, e não desalenta sequer qualquer provável solidão.
Todos os dias viajo em estranhas estradas. Todas as semanas sigo para destinos contrários à criação. Todos os regressos a casa são desejos enaltecidos e consumados e partir torna-se uma repetição corroída e incompreensível. Nada poderei dar de mim se a mim não retornar o que me faz inteira e concreta. Cresço em mim pela vontade de receber mas “cresço em mim pela vontade de me dar”. O peso dos dias torna-se assim perversamente visível no corpo, mesmo que de mim os sorrisos se passeiem nos olhares alheios. Não me construo com esse compromisso. É inacessível o olhar paciente de quem quer alcançar outro dia. É inacessível esse apetecido crescimento e esse descontraído contentamento quando o tempo e o corpo não querem ou não conseguem consumar o seu dever.
Por agora, porque o tempo em mim fica imóvel, tudo me dói no corpo incomodado e rarefeito, mas tudo se me escapa e passa, quando te o escrevo.
E assim, a escolha se faz mudança e a rotina dita descrentes e absurdos mecanismos, entorpecendo os sons e os silêncios. E assim, contando segundos que da janela do carro vão sobejando, não cabo dentro de mim, apenas existo e persisto por fora. Porque o vento de que me alimento não sopra por essas paragens. Esse outro mar não recolhe imagens de cores transfiguradas pelos meus sonhos, mesmo distantes. Esse mar não me pertence. Esse mar não me reflecte no olhar. O céu é uma mancha de azul esbatido e vacilante, que não respira em mim.
E mesmo a tua ausência, perpétuo mantimento de uma alma insaciável, é agora supérflua e impotente, e não desalenta sequer qualquer provável solidão.
Todos os dias viajo em estranhas estradas. Todas as semanas sigo para destinos contrários à criação. Todos os regressos a casa são desejos enaltecidos e consumados e partir torna-se uma repetição corroída e incompreensível. Nada poderei dar de mim se a mim não retornar o que me faz inteira e concreta. Cresço em mim pela vontade de receber mas “cresço em mim pela vontade de me dar”. O peso dos dias torna-se assim perversamente visível no corpo, mesmo que de mim os sorrisos se passeiem nos olhares alheios. Não me construo com esse compromisso. É inacessível o olhar paciente de quem quer alcançar outro dia. É inacessível esse apetecido crescimento e esse descontraído contentamento quando o tempo e o corpo não querem ou não conseguem consumar o seu dever.
Por agora, porque o tempo em mim fica imóvel, tudo me dói no corpo incomodado e rarefeito, mas tudo se me escapa e passa, quando te o escrevo.
quarta-feira, outubro 14, 2009
"Tem vida"
"- É bonita essa música, é uma valsa?
- É um tango, é uma das minhas músicas preferidas... E tem qualquer coisa de... Tem paixão...
- Tem vida!"
segunda-feira, outubro 05, 2009
"Todo cambia"
"Cambia lo superficial
cambia también lo profundo
cambia el modo de pensar
cambia todo en este mundo
Cambia el clima con los años
cambia el pastor su rebaño
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño
Cambia el mas fino brillante
de mano en mano su brillo
cambia el nido el pajarillo
cambia el sentir un amante
Cambia el rumbo el caminante
aunque esto le cause daño
y así como todo cambia
que yo cambie no extraño
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia el sol en su carrera
cuando la noche subsiste
cambia la planta y se viste
de verde en la primavera
Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño
Pero no cambia mi amor
por mas lejos que me encuentre
ni el recuerdo ni el dolor
de mi pueblo y de mi gente
Lo que cambió ayer
tendrá que cambiar mañana
así como cambio yo
en esta tierra lejana
..."
Mercedes Sosa (1935-2009)
A parede continua a registar alguns traços da vida que por cá fica. Os legados dos que já não respiram por cá, mas que me fazem respirar.
domingo, setembro 27, 2009
sábado, setembro 26, 2009
Não saber viver
Talvez não saiba como viver sem o sentimento que por ti fui inventando e construindo.
Porque a razão o construiu de mãos dadas com o coração e, embora inexistente agora, sobejam-me argumentos que não o deixam contrariar. É uma constante visita à casa demolida de alguém que mudou há muito de morada.
Porque a razão o construiu de mãos dadas com o coração e, embora inexistente agora, sobejam-me argumentos que não o deixam contrariar. É uma constante visita à casa demolida de alguém que mudou há muito de morada.
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